sábado, 5 de março de 2011

Uma faculdade brasileira só para indígenas‏

 
 Imagem: Google
 
Cartola - Agência de Conteúdo
Especial para o Terra

Marcondes Nambla, 30 anos, morava até o ano passado em Curitiba (PR), para onde havia partido para estudar Ciências Sociais dois anos antes. Como muitos estudantes pelo País, deixou a sua família e amigos para mudar de cidade e conseguir uma melhor qualificação profissional.

Nambla poderia ser um típico universitário, mas ele é um cacique. Do povo Xokléng, de Santa Catarina, o índio conta que deixar a aldeia não foi fácil. "De repente você está em uma capital e não conhece ninguém, não tem amigo nenhum, é todo mundo competindo. Acaba se sentindo muito sozinho", recorda.

Porém, desde 2011, Nambla vive uma realidade bem diferente. Ele faz parte da primeira turma de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), cujas aulas começaram em fevereiro. "Aqui é muito diferente, ficamos próximos. Só da minha terra indígena vieram 40 pessoas", afirma o professor que ensiou o idioma xokléng para a sua tribo de 2000 a 2008. "A nossa língua estava se perdendo, na década de 90 apenas 30% do grupo Xokléng era bilíngue", lamenta. Agora, frequentando o curso da UFSC, Nambla vai ter muito mais subsídios para ensinar a sua aldeia sobre a língua e a cultura indígena.

Assim como o cacique, outros 119 índios estão frequentando a primeira faculdade para professores indígenas das regiões Sul e Sudeste do País. Além dos Xokléng, participam das atividades alunos Guaranis e Kaingang, vindos dos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo e São Paulo. Assim como qualquer aluno de ensino superior, os índios tinham Ensino Médio completo e prestaram vestibular para conseguir a vaga.

O curso dura quatro anos e é totalmente presencial, porém, como a maioria já dá aulas em suas aldeias, era inviável que permanecessem todo esse tempo em Florianópolis. Assim, as disciplinas são ministradas por etapas intensivas, que duram algumas semanas, com aulas de manhã e de tarde e com atividades acadêmico-científico-culturais. A primeira parte, por exemplo, está ocorrendo em fevereiro, e a segunda será em maio. Assim, os estudantes podem voltar para as suas tribos com alguma frequência, e o custeio da hospedagem e das passagens fica por conta de entidades como o MEC e a Funai.

O objetivo do curso é solidificar o ensino que é feito nas aldeias. Os universitários terão, ao longo da faculdade, disciplinas como laboratório de línguas indígenas, tecnologia de informação e comunicação para população indígena, língua portuguesa, história pré e pós-colonial, mitologia indígena, entre outras. Até o quinto semestre, as turmas são separadas de acordo com a etnia dos alunos, aprendendo conteúdos específicos sobre a sua cultura. Depois os acadêmicos são separados de acordo com a terminalidade que escolherem. Há quatro opções, como Licenciatura das Linguagens, com ênfase em línguas indígenas; Licenciatura das Linguagens, com ênfase no ensino fundamental; Licenciatura do Conhecimento Ambiental e Licenciatura em Humanidades, que trata dos direitos dos índios.

Para Maria Dorothea Darella, que faz parte da equipe de coordenação do curso, a iniciativa é uma troca de conhecimentos, porque não são só os índios que saem ganhando com as aulas. "É um aprofundamento de saberes. A universidade também ganha porque justamente aqui vamos conseguir entender melhor a diversidade sócio-linguística-econômica do Brasil", explica. "Somos um País pluriétnico, então os nossos alunos (os não-índios) também vão aprender sobre essa pluralidade", diz a antropóloga sobre as atividades de integração que pretendem fazer na instituição entre os estudantes indígenas e os outros

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

400 Indios Ikpeng estão à beira da miséria no Xingu, campanha arrecada alimentos

Cerca de 400 índios da nação Ikpeng do Pavuru, no Xingu (MT), a 579 km de Cuiabá, estão à beira da miséria  


Neste semestre as roças dos Ikpeng do Pavuru, no Parque Indígena do Xingu (MT), não produziram o suficiente para alimentar sua população de cerca de 400 pessoas, deixando-a em uma situação inesperada de falta de alimentos, especialmente aqueles mais importantes para sua dieta cotidiana: a mandioca brava e o polvilho, equivalentes ao nosso arroz com feijão.

A Associação Indígena Moygu Comunidade Ikpeng (AIMCI) está realizando uma campanha relâmpago para adquirir alimentos. A meta da campanha é arrecadar 4 mil reais até o dia 15 de março para comprar esses produtos e transportá-los até o Pavuru, completando a dieta básica de seus habitantes nos meses de fevereiro, março, abril e maio.

Entre 2009 e 2010, homens e mulheres ikpeng do Pavuru dedicaram boa parte de seu tempo à construção de sua nova aldeia. Esta não é uma tarefa fácil e requer ações articuladas e um intenso trabalho para construir todas as casas e abrir a área que será a praça central.

Dessa vez, os Ikpeng tiveram que se deslocar mais do que o normal para encontrar os materiais para a construção das casas, já que estes estão cada vez mais escassos. Além disso, passaram por dois períodos de luto, que implicaram a paralisação de todas as atividades em decorrência de uma sequência de rituais funerários.

Este contexto de intensas atividades fez com que os Ikpeng não dimensionassem direito o tamanho de suas roças e por isso elas não estão sendo suficientes para alimentar toda a população. As roças deveriam estar produtivas entre novembro e dezembro de 2010 para que a colheita e a estocagem do polvilho fossem feitas e assim garantissem o alimento no tempo das chuvas (novembro a abril). Por isso enfrentam hoje dificuldades para alimentar toda a população.

Disponível:
http://www.expressomt.com.br/noticia.asp?cod=121700&codDep=3

domingo, 6 de fevereiro de 2011

SILVIA NOBRE WAIÃPI: Primeira mulher indígena a ser incorporada ao Exército brasileiro


 DO DIÁRIO DE PERNAMBUCO (06.02.2011)

Em mais uma conquista das mulheres e minorias étnicas, o Exército brasileiro incorporou a primeira tenente índia. Sílvia Nobre Waiãpi, que nasceu no Amapá e é da etnia Waiãpi, concorreu com cinco mil candidatos e foi aprovada com uma das melhores pontuações no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro (CPOR) onde faz estágio.





Natural do Amapá, da etnia Waiãpi, Silvia é formada em artes e fisioterapia e está fazendo pós-graduação em gênero e sexualidade pelo Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
A nova oficial do Exército quer que seu exemplo possa inspirar outros jovens índios espalhados por milhares de aldeias no território nacional, que muitas vezes ficam sem alternativa profissional e acabam caindo no isolamento, no vício das drogas ou até na criminalidade.
“Eu lutei para chegar até aqui, respeitando todos os ensinamentos que aprendi com os meus antepassados. Porque um povo que não preserva a sua identidade e nem guarda a memória dos seus mortos não sabe de onde veio e nem para onde vai”, afirmou Sílvia.
A militar considera fundamental a integração dos índios à sociedade formal, principalmente por meio da continuidade dos estudos. “É importante que todos os indígenas estejam inseridos nesta sociedade", disse.
Sílvia vê um papel decisivo das Forças Armadas na política indigenista do país, pois os militares têm meios e pessoal para chegar a comunidades muito afastadas e de difícil acesso, levando apoio social e exercendo ações na área de saúde.
“O Exército salvaguarda as fronteiras e a soberania do país em locais muitas vezes esquecidos. As Forças Armadas servem de suporte e apoio, com hospitais de campanha e atendimento às populações ribeirinhas.”
Ela vai passar os primeiros seis meses fazendo estágio como aspirante a oficial, quando será promovida a tenente. “Eu escolhi o Exército porque aqui eu posso ser igual a todo mundo. Aqui tem lugar para brancos, para negros, para índios. É uma força que integra toda a sociedade brasileira.”


Do site:
http://exame.abril.com.br/economia/brasil/noticias/primeira-tenente-india-e-incorporada-ao-exercito-brasileiro

domingo, 16 de janeiro de 2011

Após 37 anos, Ministério da Justiça declara terra como de posse permanente do povo Xukuru Kariri


Na última terça-feira (14), o ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto, declarou como de posse permanente do povo Xukuru Kariri, a Terra Indígena Xukuru Kariri, no município de Palmeira dos Índios, em Alagoas. Foram declarados 6.927 hectares como território do Povo Xukuru Kariri. A terra foi identificada em 1973, e só agora, 37 anos depois, a área é permanentemente dos indígenas. Mas a luta do povo Xukuru Kariri é muito antiga e data de 1822. A informação é de Raquel Xukuru Kariri, irmã de Etelvina Santana da Silva, a Maninha Xukuru Kariri, importante liderança do povo.

Segundo Raquel, a comunidade bastante animada com a publicação da Portaria. “Espalhamos a notícia para as várias comunidades do povo e devemos nos reunir no próximo sábado para tratar do assunto”, afirmou. Destacando a importância da terra, Raquel lembrou todo o tempo, da atuação de Maninha na busca pela resolução das demandas do povo, além de lembrar outras lideranças que serviram de exemplo nessa luta. “Maninha sempre chamou atenção para a terra. Depois que ela partiu, as lideranças ficaram um pouco perdidas, mas logo começou a surgir um grupo de jovens indígenas que começaram a fortalecer mais a luta Xukuru Kariri por seu território”, ressaltou.

Maninha Xukuru faleceu em 2006 e deixou um legado de luta e valorização da comunidade. “Ela se apropriou da luta pela terra de nosso povo, como se fosse a luta da própria vida dela, assim como outras lideranças como Miguel Celestino, Ciço França, entre outros.” Raquel também destacou que Maninha sabia de sua importância na história dos Xukuru Kariri. “Ela esperava que algum dia todos os povos indígenas também tivessem consciência do seu papel, da importância da sua batalha”.

A importância da terra

Já nos primórdios do século XX, o povo Xukuru Kariri era conhecido como povo guerreiro. Muitas lideranças viajavam dias a pé para cobrar das autoridades a devolução das terras que, pertencentes aos antepassados, haviam sido tomadas por fazendeiros e latifundiários ao longo dos anos. Já na década de 1950, houve a primeira retomada de terra, feita pela família de Maninha, liderada por Alfredo Celestino, seu avô, na fazenda do Canto, pois estavam cansados de promessas nunca concretizadas de devolução de suas terras.

Para Maninha, a luta pela terra era o tema principal de todas as lutas do povo. “A terra é vida, é a continuidade da vida de um povo, pois índio nenhum vive sem terra. A dignidade do índio está na terra que ela pode viver e trabalhar”, destacou Raquel, relembrando o legado de sua irmã.

“A portaria que saiu hoje é, em grande parte, resultado das lutas de Maninha de nosso povo guerreiro, não vamos ficar parados”, lembrou Raquel. Segundo ela, cinco Grupos de Trabalho (GT’s) já foram feitos e todos nunca foram concluídos por pressões de não índios. “Nosso território, assim como está declarado na portaria, é bastante reduzido. A gente já achava pouco quando eram mais de 13 mil hectares, agora são menos de 7 mil. Não há como o nosso povo sobreviver por muito tempo”, declarou.

Segundo Raquel, a Fundação Nacional do Índio (Funai), empurrou esse tamanho de território “goela abaixo” para seu povo, mas afirmou que eles não vão ficar parados. “No último mês de outubro, em nossa Assembleia, relembramos e celebramos a luta de Maninha em seu aniversário de morte, e definimos que vamos sempre continuar nossa luta por nossa terra completa, não vamos parar nesses poucos hectares agora reconhecidos.” O território total de seu povo, de acordo com Raquel é de 36 mil hectares.

fonte: Cimi

domingo, 2 de janeiro de 2011

Lula homologou nos oito anos de governo 81 terras indígenas



BRASÍLIA — O portal do Comitê de Organização de Informações da Presidência de República (https://i3gov.planejamento.gov.br/coi/) contabiliza que o governo Lula homologou, até 2009, 81 terras indígenas (TI) o que equivale a uma área de mais 18,6 milhões de hectares. O número difere das contas do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) que calcula que desde 2003 foram homologadas cerca de 14,3 milhões de hectares.

Segundo o Cimi, qualquer uma das medidas deixa o governo Lula abaixo das áreas homologadas pelos governos Collor/Itamar (31,9 milhões de hectares) e os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (36 milhões de hectares). A homologação, feita por decreto do presidente da República, é a penúltima etapa no processo de demarcação de uma TI, antes do registro em cartório e após os estudos de identificação, contestação, declaração de limites (portaria do Ministério da Justiça) e demarcação física.

Para o vice-presidente do Cimi, Roberto Antonio Liebgott, o “governo Lula quebrou um pouco as expectativas do movimento indígena”. Ele atribui as dificuldades de homologação às pressões de setores econômicos (como o agronegócio) sobre o governo e os recursos na Justiça contra os processos de demarcação. “São dois fatores bem combinados. Quando se supera um, se atravanca no outro Poder”, avalia.

Além da frustração quanto às homologações, o período 2003-2010 foi marcado por extrema violência contra os índios. “Foram centenas de conflitos com uma média de assassinatos de pelo menos 50 indígenas por ano”, calcula Roberto Liebgott. Nas contas do Cimi, o pico de homicídios ocorreu em 2007, quando foram mortos 92 indígenas.

Um dos focos de violência foi o Estado de Mato Grosso do Sul (MS), onde a Fundação Nacional do Índio (Funai) iniciou, em 2008, estudos para demarcar seis terras indígenas nas bacias dos rios Apa, Dourados, Brilhante, Ivinhema, Iguatemi e Amambaí nos primeiros meses de 2011. No estado, cerca de 3 mil índios (Guarani Kaiowá e Guarani Nhandéwa) vivem em 22 acampamentos montados à beira de rodovias.

Para muitos indigenistas a situação no MS é pior até mesmo que na Raposa Serra do Sol (RR), onde os produtores de arroz protelaram por anos com recursos na Justiça até que o Supremo Tribunal Federal confirmasse a homologação feita pelo presidente Lula.

O ativista do Cimi avalia que durante o próximo governo as entidades do movimento indígena deverão “apresentar uma pauta de demandas” e exigir “assistência diferenciada que até hoje não existe”. Ele, no entanto, pondera que os indígenas devem se articular melhor. “Isso não vai acontecer do dia para a noite”, disse antes de lembrar que durante a campanha eleitoral a questão indígena “ficou à margem [dos debates]”.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

CONVITE: LIDERANÇAS INDÍGENAS INTERNACIONAIS SE REUNEM DIAS 18 E 19-12-2010‏



Para construir uma nova história, nos dias 18 e 19 de dezembro de 2010, na cidade de Bauru - São Paulo, lideranças indígenas históricas de peso, fama e respeito nacional e internacional se reunirão para um dos mais importantes eventos indígenas - o 1º Encontro de Lideranças Internacionais ,Indígenas do Brasil. Promovido pela AMICOP - Associação de Mulheres Indígenas do Centro Oeste Paulista, sob a Coordenadoria Geral da Presidente Jupira Terena, o evento contará com a coordenação do Cacique Cafuzo Robson Miguel e terá como Mestre de Cerimônia e  Relações Públicas – a indígena Dra. Silvia Nobre Waiãpi - escritora indígena e Membro do GAPCon - Grupo de Análise e Prevenção de Conflitos Internacionais/ G3.
Contará com presença e participação do publico amante da cultura indígena, formadores de opinião, autoridades políticas, lideranças indígenas e dos nossos palestrantes convidados, dentre eles (Fotos postas abaixo na seqüência) a Cacica e Presidente Jupira Terena, Marcos Terena, Cacique Megaron Txukarramãe, Dra. Silvia Nobre Waiãpi, Dra. Azelene Kaigang, Cacique Cafuzo Robson Miguel e o Grande Cacique Raoni.
Para obter mais informações sobre a programação do evento e de todas as associações indígenas que estão envolvidas, acesse no Blog:  http://www.amicop.blogspot.com/

 


PROGRAMAÇÃO:

- DIA 18.12.10 -

- 7:00- chegada dos participantes e credenciamento

- 8.30 – abertura do evento

- Mestre de Cerimônia – Silvia Nobre Waiãpi

- AMAURY VIEIRA - Coordenador Regional Litoral Sudeste

- ANILDO LULU – Coordenador Técnico Local de Bauru-SP-

- JUPIRA TERENA – Coordenadora do Evento

- RODRIGO AGOSTINHO – Prefeito Municipal de Bauru-SP

- PAULO SERGIO RODRIGUES –Prefeito Municipal de Avai-SP-

- PAULO ROBERTO SEBASTIÃO – Vereador Município de Avai-SP-

- MÁRIO DE CAMILO – Rep. ARPINSUDESTE

- JURACI CANDIDO DE LIMA – Cacica da Aldeia Pyhau

- MARIA ROCHA - Líder das Mulheres Indígenas

- Cacique ROBSON MIGUEL – Violonista Indígena – fará a abertura com HINO NACIONAL EM GUARANI.

Apresentação das delegações e autoridades presentes- pela Mestre de Cerimônia-
9.30 – inicio das reuniões-

- Dra. AZELENE KAIGANG
Tema: - “Desafios para implementação da Declaração das Nações Unidas Sobre os Direitos dos Povos Indígenas”

- Dr. ROBERTO DOS SANTOS LEMOS FILHO - Juiz Federal da 1 Vara da Justiça Federal de Bauru - SP
Tema:- Índios e Poder Judiciário

- Dr. GILBERTO TRUIJO –Comissão Direitos Humanos –OAB-
Tema – Direitos Humanos –Preconceito e Discriminação

- MARCOS TERENA –
Tema – “100 Anos de Indigenismo no Brasil”

12.30 – almoço

14.00 - JOÃO TERENA
Tema:- Jovem Indígena – Construindo, Participando e Discutindo A Política Contemporânea”

14.30 - EVANISA TERENA - Presidente do CONSELHO DA MULHER INDIGENA NO BRASIL-
Tema :- Conquistas e Desafios do CONAMI

15.00 - MIRIAN TERENA -Consultora para Assuntos do Direito da M.Indígena
Tema:- A Mulher Indígena e a Lei Maria Da Penha Nas Comunidades Indígenas.

15.30 - Dra. MARIA RACHEL COELHO PEREIRA - Advogada - Mestre em Direito - Parecerista em causas indígenas
Tema :-“Direito e Sexualidade e Direitos Reprodutivos”

16.00 - ACYR MOTA
Tema - Os Desafios da Implementação da Lei Maria da Penha

16.30 - INTERVALO

16.45 – Dra. Silvia Nobre Waiãpi
Tema – “Mulher Indígena e a Implementação da Saúde Pública”

20:00 – JANTAR e DESCANSO


DIA 19/11/10-

8.00 – CACIQUE MEGARON TXUKARRAMÃE
Tema:- TERRA – “Impacto Ambiental nas Comunidades Indígenas e a Hidroelétrica Belo Monte”

8.30 – CACIQUE RAONI
Tema – “Experiências, Lutas e Desafios por uma Política Indígena Contemporânea”

9.00 - Cacique ROBSON MIGUEL
Tema – “Terra – Fé e Espiritualidade Indígena”

10.15 – MÁRIO DE CAMILO –
Tema:- “Atuação da ARPINSUDESTE”

10.45 - JURACI CANDIDO DE LIMA
Tema:- “Desafios e Conquista De Uma Mulher Chefe De Nação”

11:20 - PAULO ROBERTO SEBASTIÃO
Tema:- “O Índio e Os Desafios Nas Conquistas Políticas”

11.45 - DIVISÃO DE GRUPOS

12.15 – almoço

13.00 – reunião dos grupos

15.00 – intervalo

17.30 – apresentação dos grupos e propostas

18.30 - documento final (assinaturas)

19.00 - encerramento e retorno para suas aldeias de origens

19.15 – jantar e despedidas (p/ quem não tem pressa de ir embora)


“O IMPORTANTE É – VIVER, SONHAR, CONQUISTAR, AMAR, O QUE É NOSSO – QUE É A NOSSA SAÚDE, A NOSSA VIDA , A NOSSA UNIÃO, A NOSSA FAMÍLIA E A NOSSA RAÇA INDI GENA, MEU POVO, VAMOS PARA SEMPRE AMAR A NOSSA TERRA, A NOSSA PÁTRIA AMADA , CHAMADA BRASIL”

“JUPIRA TERENA”
“2010”

ASSOCIAÇÃO DAS MULHERES INDÍGENAS DO CENTRO OESTE PAULISTA AMICOP -

Rua - Luiz Berro- Nº 5 - 30 – Jardim Tangará - Chácara do Roberto Bauru - SP. Pegar a Avenida Cruzeiro do Sul no asfalto novo e seguir até o final da avenida. 


Venha fazer parte desta historia de brasilidade! 

Sua presença é muito importante. Divulgue para seus contatos!


Samantha Ro'otsitsina

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Carta de repúdio ao programa exibido pela TV Record no Domingo Espetacular no dia 07 de novembro de 2010



Nós, mulheres indígenas reunidas no Encontro Nacional de Mulheres Indígenas para a proteção e Promoção dos seus Direitos na cidade de Cuiabá, entre os dias 17 e 19 de novembro de 2010, vimos manifestar nosso repúdio e indignação contra reportagem produzida pela ONG religiosa ATINI, exibida no dia 07 de novembro de 2010 em rede nacional e internacional. No Programa do Domingo Espetacular, da emissora RECORD,  foram mostradas cenas de simulação de enterro de crianças indígenas em aldeias dos estado de Mato Grosso (Xingu), Mato Grosso do Sul (Kaiowá Guarani) e no sul do Amazonas (Zuruaha), pelos fatos e motivos a seguir aduzidos:
 
1. A malfadada reportagem coloca os povos indígenas como coletividades que agridem, ameaçam e matam suas crianças sem o mínimo de piedade e sem o senso de humanidade.
2. Na aludida reportagem aparecem indígenas atores adultos e crianças na maior “selvageria” enterrando crianças.
3. A reportagem quer demonstrar que essas ações nocivas aos direitos à vida das crianças indígenas são praticas rotineiras nas comunidades, ou de outra forma, são praticas culturalmente admitidas pelos povos indígenas brasileiros.
4. Que os produtores do “filme” desconhecem e por tanto não respeitam a realidade e costumes dos indígenas brasileiros. São “produtores Hollywoodianos”.

Vale esclarecer em primeiro lugar que a reportagem não preocupou em dizer que no Brasil existem mais de 225 povos ou etnias diferenciadas em seus usos, costumes, línguas, crenças e tradições. Essa reportagem negou aos brasileiros o direito ao conhecimento de que na década de 1970 a população indígena não chegava a duzentas mil pessoas ao ponto de antropólogos dizerem que no século XX os indígenas iriam acabar.
Se de fato os indígenas estivessem matando suas crianças, a população indígena estaria diminuindo, mas a realidade é outra, pois a população naquele momento em decréscimo hoje chega ao patamar de 735 mil pessoas, segundo censo de 2000 do IBGE.
A reportagem que mostra apenas uma versão das informações, não entrevista indígenas nem antropólogos que conhecem a realidade da vida na comunidade, pois senão iriam ver que crianças indígenas não vivem em creches nem na mendicância. Crianças indígenas são tratadas com respeito, dignidade e na mais ampla liberdade.
A reportagem maldosa e preconceituosa feriu intensamente os direitos indígenas nacional e internacionalmente reconhecidos, pois colocar povos indígenas e suas comunidades como homicidas de crianças é o mesmo que dizer que certas religiões praticam seus rituais matando suas crianças ou que a população brasileira em geral abandona suas crianças em creches, nas drogas e na mendicância se sem com elas se importarem. Mais, seria dizer que pais de classes médias altas jogam dos prédios suas crianças matando-as e que é comum famílias brasileiras em geral jogas seus filhos recém nascidos no lixões das grandes cidades, ou que os lideres religiosos são todos pedófilos.
Quais são as verdades dos fatos por trás das notícias caluniosas e difamatórias contras os povos indígenas.
Não seriam razões escusas de jogar a população brasileira contra os povos indígenas para buscar aprovação pelo Congresso Nacional brasileiro de leis nefastas aos povos indígenas? Ao dizer que os indígenas não têm condições de cuidar de seus filhos automaticamente estará retirando dos indígenas a autonomia em criar seus filhos, facilitando assim a intervenção do Estado para retirar crianças do convívio familiar indígena entregando-as a adoção principalmente por famílias estrangeiras. Na reportagem, o padrão de sociedade ideal é o povo americano, pois demonstrou que a criança retirada da comunidade agora vive nos Estados Unidos da América e até já fala inglês. Sociedade justa, moderna bem-feitora. Seria mesmo a “América” o modelo padrão de sociedade justa apresentado na reportagem? Vale esclarecer que a ONG religiosa ATINI e sua produtora de Hollywood têm sua sede nos Estados Unidos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Foro Internacional dos Povos Indígenas sobre Mudancas Climáticas


 Foto:http://chsurui.blogspot.com/

Nota para imprensa

Povos Indígenas do mundo pleiteiam propostas mínimas sobre Cambio Climático


Cancún, 30 de noviembre, 2010. Delegadas e delegados dos povos indígenas,  representantes de mais de  360 millhoes de pessoas, pedimos para incorporar nos acordos sobre Cambio Climático um conjunto de propostas mínimas de caráter irrenunciavel por estar profundamente ligadas a nossos direitos humanos.

Todos reunidos em Cancun concordamos com o enfoque de direitos expressado pelor presidente do México Felipe Calderón que, durante  sua intervencao no ato  inaugural da COP 16, que O “direito a um ambiente saudavel  e' um direito humano de todas as pessoas, incluindo especialmente os indígenas”.

Nos povos indígenas afirmamos que os textos que se adotem em Cancun devem reconhecer os direitos dos povos indígenas.

Diante disso enfatizamos, o direito a  livre determinacao, das terras, territorios, recursos naturais e genéticos,  consentimiento previo livre e informado, aos conhecimentos tradicionais.

Também exigimos a participacao plena, efetiva e direta dos povos indígenas em todos os mecanismos, organismos, procedimentos establecidos na Convencao Marco das Nacoes Unidas sobre Cambio Climático como mitigacao, adaptacao, Protocolo de Kyoto, financiamento, transferencia de tecnología e fortalecimento de capacidades, e outros.

Nossas propostas se fundamentam nos principios e direitos reconhecidos pela propria Organizacao das Nacoes Unidas (ONU), incluindo a Declaracao das Nacoes Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, adotadas pela Assembleia Geral da ONU em 13 de septiembre de 2007.

Nos povos indígenas, estamos em situaciao de vulnerabilidade pelo impacto do cambio climático tal como  reconhece o Conselho de Direitos Humanos da ONU, devido a nossa estreita relacao com a natureza, e os textos de negociacao devem mencionar este trecho, e incluir referencias específicas aos povos indígenas.

Outra demanda fundamental 'e que os acordos garantam a inclusao, do reconhecimento e a protecao das tecnologías proprias, semillas, expressoes culturais, crencas, patrimonio e conhecimentos ancestrais.

Respeito ao financiamento propomos a participacao plena e  efetiva de nossos povos indígenas na gestao e distribuicao de recursos, assím como o acceso a tecnologías apropriadas e a processos de fortalecimento de capacidades para  enfrentar o  cambio climático.

Contacto de prensa para entrevistas o declaraciones: Español: Genaro Bautista: (+52) 1-5527098873
      Janeth Cuji & Jenny Vaca: (+52) 1- 9982039357


Sônia Guajajara
Vice Coordenadora
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB

"Unir para organizar, fortalecer para conquistar"
Cel.: +55 92 8143-7244

Skype: soniaguajajara34
Site: www.coiab.com.br

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

EDUCAÇÃO INDÍGENA


DOCUMENTO FINAL DO 23º ENCONTRÃO DE PROFESSORES/AS INDÍGENAS EM PERNAMBUCO


Nós, povos indígenas em PE (Atikum,Kambiwá,Kapinawá,Pipipã,Pankará,Pankararu, Pankararu Entre Serra, Pankaiuká, Truká, Tuxá e Xukuru) nos reunimos durante os dias 18 a 21 de novembro, na aldeia Enjeitado – território Pankará, com a força de nosso pai Tupã e de nossos encantos de luz para discutirmos e decidirmos os rumos da nossa educação escolar, pois desejamos uma melhor qualidade de vida e educação para nossos povos e para as nossas crianças. Neste encontro participaram cerca de 500 professores(as) indígenas e lideranças além de representantes indígenas do povo Xukuru Kariri do estado de Alagoas, a APOINME(Articulação de Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Espírito Santo e Minas Gerais), o CCLF(Centro de Cultura Luiz Freire) e a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco (Unidade de educação escolar indígena).

Durante o encontro, fizemos uma avaliação sobre a atuação do movimento indígena em Pernambuco e uma breve análise sobre a atual situação da educação escolar indígena em PE: seus avanços e entraves. Ainda foi feito o repasse sobre as ações realizadas pela CNPI (Comissão Nacional Políticas Indigenistas), feita pela liderança do povo Xukuru, Cacique Marcos, nosso representante nesta comissão. Também foi feito o repasse sobre o processo de demarcação do território Pankará, processo que representa a consolidação do direito que temos ao nosso território tradicional e que têm impactos significativos na vida de nosso povo e, consequentemente, na educação escolar de nossas crianças e jovens. Este fato, reafirma ainda mais o direito que temos de ter todas as nossas escolas estadualizadas, conforme consta na Resolução 03/99, inciso II do art.9º que afirma: “Competirá ao Estado responsabilizar-se pela oferta e execução da educação escolar indígena(...) regulamentar administrativamente as escolas indígenas, nos respectivos Estados, integrando-os como unidades próprias, autônomas e específicas no sistema estadual.” Além desta resolução, também consta no decreto n.º 24.628 de 12/08/2002, de âmbito estadual, a responsabilidade do Estado sobre as escolas indígenas em PE.

Além dessas discussões, a Secretaria de Educação do Estado fez breve apresentação das ações realizadas junto aos povos indígenas durante esse ano, assim como das ações planejadas para o ano 2011. Ainda foi pautado pelas lideranças, junto a SEDUC, a inadequação de um concurso público para professores indígenas, uma vez que esse processo seletivo fere a autonomia dos povos indígenas. Fizemos também a apreciação do projeto de Lei que cria a categoria de professor indígena no estado de PE e do decreto Presidencial 6.861 de 2009 que cria os territórios etnoeducacionais.

A partir das discussões realizadas apresentamos os seguintes encaminhamentos e reivindicações:

  • A realização de reunião com o governador do estado, tendo em vista conhecermos e acompanharmos a implementação do plano de ação do Estado para os povos indígenas em PE e definirmos um prazo para a regularização e efetivação dos (as) professores (as) indígenas.

  • Reivindicamos a agilidade no encaminhamento á Assembléia Legislativa do Projeto que cria a categoria para professor indígena;

  • Reivindicamos a realização de um seminário com organizações governamentais e não governamentais para a sensibilização acerca da regularização e efetivação dos professores(as) indigenas em PE;

  • Reivindicamos que a Secretaria de Educação do Estado reconheça, garanta e viabilize a presença das nossas lideranças em todos os espaços de formação promovidos por esta. Pois as nossas lideranças têm papel fundamental em nossa educação escolar, são a base da organização social de nossos povos e são eles(as) que detêm os saberes tradicionais que fortalecem e qualificam os processos de formação política dos professores(as) indígenas em PE;

  • Reivindicamos que seja discutida e implementada uma política de formação aos professores indígenas em PE e que o Estado garanta a formação nos diversos níveis de ensino: pós-graduação, especialização, magistério indígena e na modalidade de educação especial;

  • Reivindicamos que seja garantido o direito a licença maternidade e médica com as devidas substituições;

  • Reivindicamos, conforme decreto n.º 24.628 de 12/08/2002, que sejam criadas e estadualizadas as escolas no povo Pankará, Pankararu Entre Serras, Pankaiuká e Atikum.

Educação é um direito, mas tem que ser do nosso jeito!

Território Pankará, 21 de novembro de 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

QUEM SÃO OS XUKURU DO ORORUBÁ?



Os Xukuru, com uma população atual de cerca de 3.500 índios, vivem na Serra do Ororubá, numa área de 26.980 hectares, no município de Pesqueira.

De acordo com vários pesquisadores, o nome da serra Ororubá possui diversas origens e significados: seria uma corruptela de uru-ybá – fruta dos urus, onomatopaico de várias pequenas perdizes; viria de "orouba", uma palavra oriunda do cariri; seria de origem tupi, vindo de uru-ubá – fruta do pássaro ou ser corruptela de arara-ubá ou, ainda, poderia dizer respeito à expressão designativa da primeira tribo tapuia-cariri localizada na serra.

Sua presença na Serra do Ororubá, vem desde a época da colonização portuguesa, como o comprovam alguns documentos. Provavelmente nunca tenham se afastado do local.

Em 1879, como aconteceu com outras aldeias que ainda sobreviviam à invasão do seu território, houve a extinção da aldeia Xukuru pelo Governo. O grupo passou então a sobreviver vagando pela serra.

Foram alvo de perseguições, como a proibição de seus ritos religiosos e da prática do uso de ervas medicinais para curar suas doenças. Porém, a indefinição de seus limites territoriais foi, no entanto, o que mais afetou a existência do grupo. Seu território foi demarcado em 1995, mas o processo de regularização fundiária ainda não foi concluído, ocasionando muitos conflitos pela posse da terra.

Os remanescentes Xukuru que sobreviveram ao processo de perseguições sistemáticas e expropriação de suas terras conservaram poucos traços étnicos e culturais. O toré é dançado em poucas ocasiões, não falam mais sua língua nativa, salvo algumas palavras ainda conhecidas pelos mais velhos como, lombri= água; lomba=terra; clariu= estrela; amum= farinha; echalá= fava; maiu= panela; xigó = milho; chrichaú= feijão; memengo= bode, entre outras.

O grupo está distribuído em 18 aldeias: São José, Afeto, Gitó, Brejinho, Canabrava, Courodanta, Bentevi, Lagoa, Santana, Caípe, Caetano, Caldeirão, Pé de Serra, Oiti, Pendurado, Boa Vista, Cimbres e Guarda.

Cada aldeia é constituída por um grupo de famílias, habitando cada uma na sua casa. Toda a aldeia possui um representante, que leva os problemas da sua comunidade para o cacique, que é o representante dos Xukuru como um todo.

Vivem, essencialmente, da agricultura de subsistência, horticultura, fruticultura e do artesanato de bordados de renascença feitos pelas mulheres da tribo.

As principais culturas são milho, feijão, fava e a mandioca, porém o que garante a sobrevivência dos índios é a fava, por ser de custo mais baixo que o feijão, sendo colhida durante todo o verão.

Os Xukuru revivem, anualmente, suas tradições mítico-religiosas por ocasião das festas de Nossa Senhora das Montanhas e de São José. Apesar de não serem festas indígenas, servem de motivo para que os índios revivam costumes próprios da sua cultura, através das danças, cantigas em dialeto misturado com português e o cultivo das lendas sobre a tribo, como a que diz: "Nos tempos dos índios inocentes, encontraram a imagem de Nossa Senhora num tronco de jucá, os padres levaram, então, a Santa para a igreja, mas a santa voltou para o tronco de Jucá".

Segundo dizem, é neste local que se realiza o ritual dos caboclos: os homens, vestidos com trajes de palha de milho, com flautas e bastões, dançam no local durante toda a noite.


FONTES CONSULTADAS:

AS COMUNIDADES indígenas de Pernambuco. Recife: Instituto de Desenvolvimento de Pernambuco-Condepe, 1981.

SÁ, Marilena Araújo de. "Yaathe" é a resistência dos Fulni-ô. Revista do Conselho Estadual de Cultura, Recife, Ed. especial, p.48-54, 2002.

SOUZA, Vânia Rocha Fialho de Paiva e. As fronteiras do ser Xukuru. Recife: Fundaj. Ed. Massangana, 1998.

(Texto atualizado em 30 de janeiro de 2008)