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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Carta do Cacique Mutua a todos os povos da Terra

O Sol me acordou dançando no meu rosto. Pela manhã, atravessou a palha da oca e brincou com meus olhos sonolentos. O irmão Vento, mensageiro do Grande Espírito, soprou meu nome, fazendo tremer as folhas das plantas lá fora.

Eu sou Mutua, cacique da aldeia dos Xavantes. Na nossa língua, Xingu quer dizer água boa, água limpa. É o nome do nosso rio sagrado.

Como guiso da serpente, o Vento anunciou perigo. Meu coração pesou como jaca madura, a garganta pediu saliva. Eu ouvi. O Grande Espírito da floresta estava bravo.

Xingu banha toda a floresta com a água da vida. Ele traz alegria e sorriso no rosto dos curumins da aldeia. Xingu traz alimento para nossa tribo.

Mas hoje nosso povo está triste. Xingu recebeu sentença de morte. Os caciques dos homens brancos vão matar nosso rio.

O lamento do Vento diz que logo vem uma tal de usina para nossa terra. O nome dela é Belo Monte. No vilarejo de Altamira, vão construir a barragem. Vão tirar um monte de terra, mais do que fizeram lá longe, no canal do Panamá.

Enquanto inundam a floresta de um lado, prendem a água de outro. Xingu vai correr mais devagar. A floresta vai secar em volta. Os animais vão morrer. Vai diminuir a desova dos peixes. E se sobrar vida, ficará triste como o índio.

Como uma grande serpente prateada, Xingu desliza pelo Pará e Mato Grosso, refrescando toda a floresta. Xingu vai longe desembocar no Rio Amazonas e alimentar outros povos distantes.

Se o rio morre, a gente também morre, os animais, a floresta, a roça, o peixe tudo morre. Aprendi isso com meu pai, o grande cacique Aritana, que me ensinou como fincar o peixe na água, usando a flecha, para servir nosso alimento.

Se Xingu morre, o curumim do futuro dormirá para sempre no passado, levando o canto da sabedoria do nosso povo para o fundo das águas de sangue.

Hoje pela manhã, o Vento me levou para a floresta. O Espírito do Vento é apressado, tem de correr mundo, soprar o saber da alma da Natureza nos ouvidos dos outros pajés. Mas o homem branco está surdo e há muito tempo não ouve mais o Vento.

Eu falei com a Floresta, com o Vento, com o Céu e com o Xingu. Entendo a língua da arara, da onça, do macaco, do tamanduá, da anta e do tatu. O Sol, a Lua e a Terra são sagrados para nós.

Quando um índio nasce, ele se torna parte da Mãe Natureza. Nossos antepassados, muitos que partiram pela mão do homem branco, são sagrados para o meu povo.

É verdade que, depois que homem branco chegou, o homem vermelho nunca mais foi o mesmo. Ele trouxe o espírito da doença, a gripe que matou nosso povo. E o espírito da ganância que roubou nossas árvores e matou nossos bichos. No passado, já fomos milhões. Hoje, somos somente cinco mil índios à beira do Xingu, não sei por quanto tempo.

Na roça, ainda conseguimos plantar a mandioca, que é nosso principal alimento, junto com o peixe. Com ela, a gente faz o beiju. Conta a história que Mandioca nasceu do corpo branco de uma linda indiazinha, enterrada numa oca, por causa das lágrimas de saudades dos seus pais caídas na terra que a guardava.

O Sol me acordou dançando no meu rosto. E o Vento trouxe o clamor do rio que está bravo. Sou corajoso guerreiro, não temo nada.

Caminharei sobre jacarés, enfrentarei o abraço de morte da jiboia e as garras terríveis da suçuarana. Por cima de todas as coisas pularei, se quiserem me segurar. Os espíritos têm sentimentos e não gostam de muito esperar.

Eu aprendi desde pequeno a falar com o Grande Espírito da floresta. Foi num dia de chuva, quando corria sozinho dentro da mata, e senti cócegas nos pés quando pisei as sementes de castanha do chão. O meu arco e flecha seguiam a caça, enquanto eu mesmo era caçado pelas sombras dos seres mágicos da floresta.

O espírito do Gavião Real agora aparece rodopiando com suas grandes asas no céu.

Com um grito agudo perguntou:

Quem foi o primeiro a ferir o corpo de Xingu?

Meu coração apertado como a polpa do pequi não tem coragem de dizer que foi o representante do reino dos homens.

O espírito do Gavião Real diz que se a artéria do Xingu for rompida por causa da barragem, a ira do rio se espalhará por toda a terra como sangue e seu cheiro será o da morte.

O Sol me acordou brincando no meu rosto. O dia se abriu e me perguntou da vida do rio. Se matarem o Xingu, todos veremos o alimento virar areia.
O Sol me acordou dançando no meu rosto. Pela manhã, atravessou a palha da oca e brincou com meus olhos sonolentos. O irmão Vento, mensageiro do Grande Espírito, soprou meu nome, fazendo tremer as folhas das plantas lá fora.

Eu sou Mutua, cacique da aldeia dos Xavantes. Na nossa língua, Xingu quer dizer água boa, água limpa. É o nome do nosso rio sagrado.

Como guiso da serpente, o Vento anunciou perigo. Meu coração pesou como jaca madura, a garganta pediu saliva. Eu ouvi. O Grande Espírito da floresta estava bravo.

Xingu banha toda a floresta com a água da vida. Ele traz alegria e sorriso no rosto dos curumins da aldeia. Xingu traz alimento para nossa tribo.

Mas hoje nosso povo está triste. Xingu recebeu sentença de morte. Os caciques dos homens brancos vão matar nosso rio.

O lamento do Vento diz que logo vem uma tal de usina para nossa terra. O nome dela é Belo Monte. No vilarejo de Altamira, vão construir a barragem. Vão tirar um monte de terra, mais do que fizeram lá longe, no canal do Panamá.

Enquanto inundam a floresta de um lado, prendem a água de outro. Xingu vai correr mais devagar. A floresta vai secar em volta. Os animais vão morrer. Vai diminuir a desova dos peixes. E se sobrar vida, ficará triste como o índio.

Como uma grande serpente prateada, Xingu desliza pelo Pará e Mato Grosso, refrescando toda a floresta. Xingu vai longe desembocar no Rio Amazonas e alimentar outros povos distantes.

Se o rio morre, a gente também morre, os animais, a floresta, a roça, o peixe tudo morre. Aprendi isso com meu pai, o grande cacique Aritana, que me ensinou como fincar o peixe na água, usando a flecha, para servir nosso alimento.

Se Xingu morre, o curumim do futuro dormirá para sempre no passado, levando o canto da sabedoria do nosso povo para o fundo das águas de sangue.

Hoje pela manhã, o Vento me levou para a floresta. O Espírito do Vento é apressado, tem de correr mundo, soprar o saber da alma da Natureza nos ouvidos dos outros pajés. Mas o homem branco está surdo e há muito tempo não ouve mais o Vento.

Eu falei com a Floresta, com o Vento, com o Céu e com o Xingu. Entendo a língua da arara, da onça, do macaco, do tamanduá, da anta e do tatu. O Sol, a Lua e a Terra são sagrados para nós.

Quando um índio nasce, ele se torna parte da Mãe Natureza. Nossos antepassados, muitos que partiram pela mão do homem branco, são sagrados para o meu povo.

É verdade que, depois que homem branco chegou, o homem vermelho nunca mais foi o mesmo. Ele trouxe o espírito da doença, a gripe que matou nosso povo. E o espírito da ganância que roubou nossas árvores e matou nossos bichos. No passado, já fomos milhões. Hoje, somos somente cinco mil índios à beira do Xingu, não sei por quanto tempo.

Na roça, ainda conseguimos plantar a mandioca, que é nosso principal alimento, junto com o peixe. Com ela, a gente faz o beiju. Conta a história que Mandioca nasceu do corpo branco de uma linda indiazinha, enterrada numa oca, por causa das lágrimas de saudades dos seus pais caídas na terra que a guardava.

O Sol me acordou dançando no meu rosto. E o Vento trouxe o clamor do rio que está bravo. Sou corajoso guerreiro, não temo nada.

Caminharei sobre jacarés, enfrentarei o abraço de morte da jiboia e as garras terríveis da suçuarana. Por cima de todas as coisas pularei, se quiserem me segurar. Os espíritos têm sentimentos e não gostam de muito esperar.

Eu aprendi desde pequeno a falar com o Grande Espírito da floresta. Foi num dia de chuva, quando corria sozinho dentro da mata, e senti cócegas nos pés quando pisei as sementes de castanha do chão. O meu arco e flecha seguiam a caça, enquanto eu mesmo era caçado pelas sombras dos seres mágicos da floresta.

O espírito do Gavião Real agora aparece rodopiando com suas grandes asas no céu.

Com um grito agudo perguntou:

Quem foi o primeiro a ferir o corpo de Xingu?

Meu coração apertado como a polpa do pequi não tem coragem de dizer que foi o representante do reino dos homens.

O espírito do Gavião Real diz que se a artéria do Xingu for rompida por causa da barragem, a ira do rio se espalhará por toda a terra como sangue e seu cheiro será o da morte.

O Sol me acordou brincando no meu rosto. O dia se abriu e me perguntou da vida do rio. Se matarem o Xingu, todos veremos o alimento virar areia.

A ave de cabeça majestosa me atraiu para a reunião dos espíritos sagrados na floresta. Pisando as folhas velhas do chão com cuidado, pois a terra está grávida, segui a trilha do rio Xingu. Lembrei que, antes, a gente ia para a cidade e no caminho eu só via árvores.

Agora, o madeireiro e o fazendeiro espremeram o índio perto do rio com o cultivo de pastos para boi e plantações mergulhadas no veneno. A terra está estragada. Depois de matar a nossa floresta, nossos animais, sujar nossos rios e derrubar nossas árvores, querem matar Xingu.

O Sol me acordou brincando no meu rosto. E no caminho do rio passei pela Grande Árvore e uma seiva vermelha deslizava pelo seu nódulo.

Quem arrancou a pele da nossa mãe? gemeu a velha senhora num sentimento profundo de dor.

As palavras faltaram na minha boca. Não tinha como explicar o mal que trarão à terra.

Leve a nossa voz para os quatro cantos do mundo clamou O Vento ligeiro soprará até as conchas dos ouvidos amigos ventilou por último, usando a língua antiga, enquanto as folhas no alto se debatiam.

Nosso povo tentou gritar contra os negócios dos homens. Levamos nossa gente para falar com cacique dos brancos. Nossos caciques do Xingu viajaram preocupados e revoltados para Brasília. Eu estava lá, e vi tudo acontecer.

Os caciques caraíbas se escondem. Não querem olhar direto nos nossos olhos. Eles dizem que nos consultaram, mas ninguém foi ouvido.

O homem branco devia saber que nada cresce se não prestar reverência à vida e à natureza. Tudo que acontecer aqui vai voar com o Vento que não tem fronteiras. Recairá um dia em calor e sofrimento para outros povos distantes do mundo.

O tempo da verdade chegou e existe missão em cada estrela que brilha nas ondas do Rio Xingu. Pronta para desvendar seus mistérios, tanto no mundo dos homens como na natureza.

Eu sou o cacique Mutua e esta é minha palavra! Esta é minha dança! E este é o meu canto!

Porta-voz da nossa tradição, vamos nos fortalecer. Casa de Rezas, vamos nos fortalecer. Bicho-Espírito, vamos nos fortalecer. Maracá, vamos nos fortalecer. Vento, vamos nos fortalecer. Terra, vamos nos fortalecer.

Rio Xingu! Vamos nos fortalecer!
Leve minha mensagem nas suas ondas para todo o mundo: a terra é fonte de toda vida, mas precisa de todos nós para dar vida e fazer tudo crescer.

Quando você avistar um reflexo mais brilhante nas águas de um rio, lago ou mar, é a mensagem de lamento do Xingu clamando por viver.


Cacique Mutua


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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Foro Internacional dos Povos Indígenas sobre Mudancas Climáticas


 Foto:http://chsurui.blogspot.com/

Nota para imprensa

Povos Indígenas do mundo pleiteiam propostas mínimas sobre Cambio Climático


Cancún, 30 de noviembre, 2010. Delegadas e delegados dos povos indígenas,  representantes de mais de  360 millhoes de pessoas, pedimos para incorporar nos acordos sobre Cambio Climático um conjunto de propostas mínimas de caráter irrenunciavel por estar profundamente ligadas a nossos direitos humanos.

Todos reunidos em Cancun concordamos com o enfoque de direitos expressado pelor presidente do México Felipe Calderón que, durante  sua intervencao no ato  inaugural da COP 16, que O “direito a um ambiente saudavel  e' um direito humano de todas as pessoas, incluindo especialmente os indígenas”.

Nos povos indígenas afirmamos que os textos que se adotem em Cancun devem reconhecer os direitos dos povos indígenas.

Diante disso enfatizamos, o direito a  livre determinacao, das terras, territorios, recursos naturais e genéticos,  consentimiento previo livre e informado, aos conhecimentos tradicionais.

Também exigimos a participacao plena, efetiva e direta dos povos indígenas em todos os mecanismos, organismos, procedimentos establecidos na Convencao Marco das Nacoes Unidas sobre Cambio Climático como mitigacao, adaptacao, Protocolo de Kyoto, financiamento, transferencia de tecnología e fortalecimento de capacidades, e outros.

Nossas propostas se fundamentam nos principios e direitos reconhecidos pela propria Organizacao das Nacoes Unidas (ONU), incluindo a Declaracao das Nacoes Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, adotadas pela Assembleia Geral da ONU em 13 de septiembre de 2007.

Nos povos indígenas, estamos em situaciao de vulnerabilidade pelo impacto do cambio climático tal como  reconhece o Conselho de Direitos Humanos da ONU, devido a nossa estreita relacao com a natureza, e os textos de negociacao devem mencionar este trecho, e incluir referencias específicas aos povos indígenas.

Outra demanda fundamental 'e que os acordos garantam a inclusao, do reconhecimento e a protecao das tecnologías proprias, semillas, expressoes culturais, crencas, patrimonio e conhecimentos ancestrais.

Respeito ao financiamento propomos a participacao plena e  efetiva de nossos povos indígenas na gestao e distribuicao de recursos, assím como o acceso a tecnologías apropriadas e a processos de fortalecimento de capacidades para  enfrentar o  cambio climático.

Contacto de prensa para entrevistas o declaraciones: Español: Genaro Bautista: (+52) 1-5527098873
      Janeth Cuji & Jenny Vaca: (+52) 1- 9982039357


Sônia Guajajara
Vice Coordenadora
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB

"Unir para organizar, fortalecer para conquistar"
Cel.: +55 92 8143-7244

Skype: soniaguajajara34
Site: www.coiab.com.br

quinta-feira, 29 de abril de 2010

INTERRUPÇÃO DA VIDA! CRIME AMBIENTAL!

Saque dos ovos de tartarugas para venda aos restaurantes na Praia de Ostional, do oceano Pacífico, localizada a 350 de San Jose, capital da Costa Rica

Nos últimos meses tenho recebido centenas de e-mails com as imagens chocantes do saque de ovos de tartarugas pelas pessoas nas praias da Costa Rica. Fiquei desconfiado porque estava cheirando boato de internet. Algumas mensagens que estavam chegando informavam que o local era o Rio Solimões, no Brasil!


Obviamente não poderia ser um banco de areia do rio Solimões, considerando que as imagens mostram claramente o mar, sacos de fertilizante utilizados para transportar os ovos escritos em espanhol e também as características físicas das pessoas. Então, como informavam a maior parte das mensagens, o local mais plausível para as cenas do massacre poderia realmente ser uma praia da Costa Rica

Os gestores do projeto garantem que em cada temporada são saqueados “apenas” 3 milhões de ovos e que este número é 10% do total que as tartarugas depositam

Estariam as praias das Costa Rica tornando-se mortais para as tartarugas? Eu fui atrás de fontes confiáveis e verifiquei que, infelizmente, estão. É o que parece. As imagens não mentem, não foram manipuladas e mostram uma triste realidade nas praias da Costa Rica: o saque de ovos de tartarugas para o consumo e venda para restaurantes que faturam alto com a iguaria servida para os turistas estrangeiros. Tal prática é, obviamente, motivo de muita preocupação porque ameaçam de extinção algumas espécies de tartarugas.

Estes ovos saqueados dos ninhos das tartarugas são embalados, recebem um selo de "coletados legalmente" e vendidos para bares, restaurantes e padarias em toda a Costa Rica.

Há 20 anos o pesquisador Douglas Clark Robinson, da Faculdade de Biologia da Universidade da Costa Rica, colocou em prática um projeto de geração de renda pioneiro envolvendo as famílias da comunidade de Ostional, em Guanacaste, com uma atividade duvidosa de coleta "sustentável” de ovos para consumo próprio ou comercialização para os restaurantes.

Ovos de tartaruga saqueados da natureza
na cozinha de um restaurante da Costa Rica


Lembrando que o local é uma unidade de conservação da natureza, Refúgio Nacional da Vida Selvagem de Ostional, e são os ovos da tartaruga oliva (Lepidochels olivacea), espécie que ESTÁ AMEAÇADA DE EXTINÇÃO. A tartaruga oliva desova nas praias brasileiras também, no Nordeste.

Durante as primeiras 35 horas após o início da desova, os habitantes locais passaram a receber autorização para promover a retirada maciça de ovos que, segundo os defensores deste projeto macabro de manejo sustentável, seriam destruídos pelas levas seguintes de tartarugas que congestionam o reduzido espaço ainda disponível na praia para a desova. A verdade é que para a mamãe natureza não faz nenhuma diferença se uma agressão é autorizada ou não.

Dizem que o monitoramento é feito pela Universidade da Costa Rica, Instituto da Pesca e Ministério do Ambiente, que até hoje gerenciam o projeto. E, assim, como tem muita gente que acredita em papai Noel, alguns defendem com unhas e dentes que este projeto funciona e ajuda a salvar as tartarugas. Na verdade, o salários de muita gente provém destes projetos de manejo sustentável. A cadeia alimentar dos predadores de ovos de tartaruga é bem mais complexa do que se imagina.

Para minha surpresa, a nota de “esclarecimento” do Projeto TAMAR/ICMBio publicada no site O ECO defende com vigor este saque de ovos de tartaruga pelas pessoas com o argumento de que seriam desperdiçados ao servirem de comida para os predadores naturais (aves, mamíferos...), como se estes animais não merecessem viver.
Esta imagem mostra que são saqueados até os ovos enterrados profundamente,
que estavam bem seguros contra a ação dos predadores naturais.


Teoricamente, tudo é perfeito. Entretanto, na dura realidade da ganância humana, com o irresistível preço de 30 dólares o quilo de ovos de tartaruga, começaram a ser detectados problemas graves de gestão sobre a atividade. O projeto apresentou um terrível efeito colateral ao estimular a coleta ilegal que estaria ocorrendo mais fortemente em outras praias porque o governo costarriquenho não consegue controlar a atividade em todas as áreas protegidas.

O fenômeno da desova de tartarugas proporciona um espetáculo para os visitantes estrangeiros e a atividade turística na região é praticada de forma intensa, com a exploração imobiliária que reduz mais ainda o espaço para a desova das tartarugas. E, claro, como um atrativo principal para os turistas estrangeiros os roteiros turísticos oferecem cardápios com uma incrível variedade de pratos a base de ovos de tartaruga.

Em seu caderno de ciências do dia 14/11/2009, o jornal The New York Times publicou uma matéria que cita o problema da coleta de ovos de tartaruga na Costa Rica, informando que é comum e coloca em risco de extinção algumas espécies.


ROUBO DE OVOS DE TARTARUGA NO BRASIL?


Sim, temos este problema aqui também. Se tivéssemos fotos, as imagens não seriam muito diferentes destas da Costa Rica.

Veja a matéria publicada no jornal O Globo, 08/01/2010

Encontrados 50 mil de ovos de tartaruga na zona rural do Rio Grande do Sul

PORTO ALEGRE - A Companhia Ambiental de Pelotas confirmou no final da manhã desta sexta-feira que cerca de 50 mil ovos de tartarugas da espécie tigre-d'água foram encontrados em dez canteiros na localidade de Barra Falsa, zona rural de Rio Grande. A informação inicial era de que pelo menos 10 mil ovos estariam enterrados no local.
Trinta policiais militares participam da ação que encerra uma operação iniciada há seis meses. Os ovos são coletados nas margens do Canal São Gonçalo e enterrados à espera da eclosão. Famílias que estavam no local foram detidas enquanto a BM faz um levantamento dos envolvidos. A operação segue durante todo o dia.

Biólogos e veterinários do Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) estão no local. Os ovos serão removidos ainda hoje. A polícia trabalha com a possibilidade de contrabando dos animais para fora do país e do estado, além da venda para criação doméstica.


Matéria do Globo Amazônia, em São Paulo, 20/10/2009

Fiscais apreendem 200 ovos de tartaruga roubados de seus ninhos no PA

Ovos eram coletados nas margens do Rio Xingu.

Nesta época do ano, répteis usam praias fluviais para desovar.
Fiscais da Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema) do Pará apreenderam 200 ovos de pitiú – espécie de tartaruga que vive nos rios da Amazônia – que estavam sendo retirados de seus ninhos no município de Senador José Porfírio, nas margens do Rio Xingu.

Devido às más condições em que foram armazenados, os ovos perderam a vida e não puderam ser devolvidos aos seus ninhos.

Nesta época do ano, quando os rios começam a baixar, tartarugas usam as praias de rio para desovar e se tornam presas fáceis de caçadores.

A fiscalização foi realizada na última quarta-feira (14), quando um homem foi encontrado coletando os ovos e colocando dentro de sacolas no tabuleiro – como são chamadas as praias de rio – de Embaubal, no Xingu. Segundo a Sema, o infrator Foi levado para a delegacia e poderá ser multado em R$ 500 por cada ovo apreendido. Ele alegou que estava desempregado e que os ovos seriam consumidos por sua família.

Roubo de ovos de tartaruga nas margens do rio Xingu, no município de Senador José Porfírio (PA) (Foto: Ana Monteiro - Sema (PA)/Divulgação)

Fonte:
www.ra-bugio.blogspot.com